



Nove ilhas habitadas, nove pedaços de terra, cada um com o seu encanto, cada um diferente do outro.
A riqueza de Cabo Verde é precisamente esta sua variedade de culturas, de paisagens, de criolos, de rostos e de temperamentos.
Cada uma das ilhas que compõem o arquipélago cabo verdiano tem uma identidade própria, um cunho muito forte que se torna sempre inesquecivel para cada visitante.
Desengane-se quem imagina esta nação criola plena de praias lisas de areia branca.
Chegando a Santo Antão, percebe-se que a paisagem nos transcende. Sente-se a pequenez no meio de vales, montanhas imponentes e desfiladeiros quase verticais a cair no mar. As nuvens estão abaixo das principais elevações criando uma imagem fantástica.
Este território lindissimo está dividido em dois. De um lado uma zona incrivelmente preenchida por vegetação. É a parte fértil da ilha, onde se faz agricultura, onde estão os trapiches do afamado grogue de Santo Antão.
Caminhando em direcção a sul, o tom verde começa a dissipar-se. A outra parte da ilha é uma imensidão de silêncio. De montanhas áridas, de uma secura estranha, poucas casas e muito pouca gente.
Dei comigo a pensar que estranho fenómeno teria dividido uma ilha em dois e criado dois mundos completamente diferentes. Como se um tivesse sido legado ao abandono e no outro a vida prosperasse.
Restam as montanhas, os cumes que rasgam o céu e que estão por todo o lado a impôr uma paisagem que convida à fotografia.