2 de novembro de 2006

De água vestidos

O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a húmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.

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Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo - é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?

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Homem deitado

Não se levanta nem precisa levantar-se.
Está bem assim. O mundo que enlouqueça,
o mundo que estertore em seu redor.
Continua deitado
sob a racha da pedra da memória.

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Lembrete

Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.

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Carlos Drummond de Andrade

2 comentários:

jujumis disse...

UI... CIUDADO COM ELA!
A MIUDA ANDA INSPIRADA... RAFEIROS DA PRAIA, ATENÇÃO ÀS RAFEIRAS COM PULGAS!!!

SODADI DI BO

JUMIS

RAFEIRA disse...

Jumys, gosto destas palavras (dos poetas citados).

do jeito de se falar de coisas assim deste jeito.

Facto: emprestaram-me livros. Fiz uma paródia com as SandraS (mais uma vez a meio da semana, havias de ver as minhas olheiras!!!) e a cada instante abria aquilo e saía um poema, que vinha mesmo a calhar com a conversa. Adoro os acasos.

beijos, saudades de ti